Entende-se por crase o fenômeno linguístico relacionado à fusão de duas vogais idênticas. Ocorrência que ora se materializa por meio da contração entre a preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo(s) e com o pronome relativo qual (quais), representados por meio dos exemplos subsequentes:
Hoje iremos à praia.
A acusação refere-se àquela garota.
Estas são as alunas às quais fiz referência.
Constata-se que em todos os casos o fenômeno é representado pelo acento grave (`) ou o acento indicador da crase, uma vez demarcado pela noção existente entre termo regente e termo regido. Para tanto, considerar-se- á os conhecimentos ligados a casos de regência verbal e nominal.
Assim sendo, verifiquemos as circunstâncias nas quais a crase se manifesta:
a) Nos casos em que o termo regente exige complemento regido da preposição “a” e o termo regido admite o uso do artigo feminino “a”.
Recorri-me à professora. (preposição “a” + o artigo feminino “a”)
Observação importante:
Alguns “macetes” são indispensáveis no momento de identificarmos ou não o uso da crase, representados por:
# Substitui-se a palavra feminina por uma masculina. Caso houver a possibilidade da combinação feita pela preposição + o artigo (ao), o acento estará confirmado.
Recorri-me à professora.
Recorri-me ao diretor.
# Diante de nomes próprios geográficos, substitui-se o verbo da oração pelo verbo voltar. Se a experiência permitir o uso da expressão “voltar da”, a crase estará confirmada.
Exemplos:
Era bem cedo quando chegamos à Bahia. (Voltamos da Bahia)
Fizemos uma viagem a Paris. (Voltamos de Paris)
Caso o nome geográfico apareça modificado por um adjunto adnominal, ocorrerá a crase.
Todos os turistas viajarão à bela Fortaleza.
b) A letra “a” dos pronomes demonstrativos receberá o acento indicador da crase se o termo regente exigir complemento regido pela preposição “a”.
Os donativos foram entregues àquela população de desabrigados.
A crítica refere-se àquela matéria jornalística.
c) A crase confirmar-se-á antes de locuções femininas, sejam estas adverbiais, prepositivas ou conjuntivas, respectivamente representadas:
Locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às pressas, à vontade...
Locuções prepositivas: à procura de, à espera de, à frente de...
Locuções conjuntivas: à proporção que, à medida que...
Notas passíveis de atenção:
- Há divergências entre alguns autores no que se refere ao uso da crase quando esta se referir a locuções adverbiais que indicam meio ou instrumento, exemplificadas por:
O ladrão foi morto a facadas. (O ladrão foi morto a tiros).
Em virtude desse aspecto, torna-se optativo o uso do acento, em se tratando desse caso.
Contudo, para que se evite possíveis casos de ambiguidade, opta-se por usar a crase:
Pintamos a máquina.
A parede foi pintada à máquina.
- Caso as locuções prepositivas representadas por “à moda de, à maneira de” estiverem implícitas, a crase estará confirmada, mesmo que antecedam palavras masculinas.
Adoro usar sapatos à Luís XIV.
- A locução adverbial representada pela expressão “a distância” não admite o uso da crase.
O incêndio foi observado a distância.
Contudo, caso a palavra “distância” estiver determinada, configura-se uma locução prepositiva, permitindo o uso da crase.
O incêndio foi observado à distância de uns duzentos metros.
- Nas locuções adverbiais formadas por palavras repetidas não ocorre o emprego da crase.
Depois da separação, o casal se encontrou frente a frente.